02 abril, 2008

A Tauromaquia em Montemor

O Testemunho de Vítor Esteves
A tauromaquia era um desporto muito apreciado por parte da população da aldeia. De facto, ainda hoje a Festa da Nossa Senhora da Saúde, que tem lugar na primeira quinzena de Setembro, reúne no “Campo da Bola” muitos montemorenses para, em conjunto, assistirem à “garraiada”.
Nos anos 50, Montemor tinha um jovem aspirante a toureiro que chegou, na verdade, a sê-lo e a representar a aldeia nas praças mais conhecidas do país. É esse testemunho que chega aos nossos dias, na pessoa de Vítor Manuel Luís Esteves que, por entre palavras de alegria e saudosismo, recorda aqueles que foram dos melhores tempos da sua vida.
“Foi algo com que nasci e tive que experimentar e tentar a minha sorte: a vontade de tourear! Desde jovem que fui um apreciador das actividades tauromáquicas e sabia que, mais cedo ou mais tarde, iria aprender esta arte e dedicar-me a ela”. Começou a tourear com 15 anos de idade, “pela primeira vez na Praça de Touros do Campo Pequeno!”, recorda com nostalgia e ponta de orgulho.
E assim foi. Era necessária alguma capacidade financeira, “mas lá fui torneando essa questão e tendo as minhas aulas, sempre como objectivo de seguir com a carreira de toureiro para a frente. As aulas de toureio eram dadas na escola Arena, na respectiva praça de touros. O professor da altura era Augusto Gomes, pai do cabo de forcados de Lisboa José Luís Gomes”.
E os trajes? “Comprava-os numa boutique tauromáquica pertencente ao toureiro Mário Coelho. Sem dúvida, gostava de vestir o meu fato e lançar-me à arena!”
A experiência e aprendizagem que Vítor foi adquirindo permitiram-lhe lançar-se em desafios cada vez mais ousados e, no dia 2 de Novembro de 1956, “vi-me a tourear na Praça do Cartaxo, perante uma boa assistência”.
Mas não só! “Também na Praça de Vila Franca tive uma das melhores – e piores – experiências nestas andanças. Levei uma valente tareia (risos) mas não desisti!” O seu sangue novo, a força de vontade e o gosto pela tauromaquia não o deixaram abandonar aquela que era a sua actividade de paixão.
Naturalmente, nem tudo foi um mar de rosas. Desabafa com muita emoção e uma lagrimazita, que “o Pardal deixa-me grandes saudades… Era um cavalo lindíssimo!”, o que se pode constatar nas fotos.
Só mais tarde é que deixou as lides tauromáquicas, resultado do afastamento da vida de civil e cumprimento de serviço militar. No entanto, este toureiro e músico (pertencente à orquestra municipal de Loures) não renunciou 100% à vida tauromáquica. Muito pelo contrário, continua a assistir a touradas, a apreciá-las tanto quanto pode, e ainda é o músico de serviço em todas as garraiadas montemorenses!

Cláudia Gonçalves e Luísa Gonçalves

2 comentários:

Anónimo disse...

Caro Sr. Paulino
Sem o querer corrigir, julgo que nos anos 50 e seguintes só existia um toureiro de nome Mario Coleho, é natural de Vila Franca de Xira e na graça de Deus ainda é vivo, tem na sua cidade natl uma interessantissima casa-museu que é diga de uma visita, també publicou um livro onde faz uma resenha da sua vida.Caso esteja errado apresento aos leitores o meu pedido de desculpas.
Luis Ribeiro
VFXira 13/08/2008

António José Paulino disse...

Sr Luís Ribeiro,
Muito obrigado pela sua correcção.
Felizmente o nosso Mário Coelho está bem de saúde como pudemos verificar aquando da sua entrevista televisiva em 5/9/2008 na corrida no Campo Pequeno.
Iremos corrigir este erro.
Mais uma vez um muito obrigado pela sua ajuda.
Vítor Gonçalves